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BRASIL, Sudeste, TERESOPOLIS, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, e olhe lá!!!
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É HORA DE PRECE, O PAPA TEM RAZÃO

Os sonhos da razão humana são adolescências. Uma vez escrevi um poema dizendo isso.
Desde o Iluminismo se prolonga essa longa adolescência da espécie humana. Saída da infância medieval, se afasta do Pai, tenta matá-lo (Revolução Francesa, Marx, Nietszhe), adolescente viril e convencido. Daí, a seqüência de baques. A brincadeira da Revolução Industrial entope o mundo de devastação, fumaça, lixo e desertos. O conhecimento e a tecnologia nos dão vacinas, mas também nos deixam cânceres e Hiroshimas. “Ciências”, como a Economia, multiplicam miseráveis e países em trapos. E o adolescente, vai à festa, se farta em delícia e riquezas. Mas, de vez em quando, o pânico ascende aos castelos de marfim e às moradas douradas dos ricos.
Quando veio o crack de 1929, pareceu confirmar-se o conforto da hipótese esperançosa, da possibilidade utópica, que fulgurava, em vermelho, do lado de lá do mundo. Mas os bolcheviques rechearam os travesseiros com chumbo grosso e espinhos finos. Cérebros amanheceram rasgados, pós-queda do Muro de Berlim. Também lá, o pânico. Adolescentes, com outro brinquedo, ao final, eram. Todas aquelas construções pomposas (líderes, países, sistemas, poderios), se esfarelando ao vento.
Agora, chega a ser patético o vexame dos todo-poderosos em pânico. Outrora senhores do mundo, com suas rédeas financeiras, com seus brinquedos bancários, com suas máquinas de engolir pobres pra cuspir riquezas, vêem-se, subitamente, nus, no meio da praça. O FMI nada lhes diz, porque eles é que dizem ao FMI para nos dizer da beleza e correção do modelo que nos empobrece. Não há Bolsa-Família que dê jeito. Ficamos capachos do sistema.
Cumpríamos este papel, o aceitávamos, porque, ao menos, estávamos à porta de palácios. Agora que os palácios desmoronam, sequer temos nosso próprio barraco. As autoridades brasileiras são comedidas no próprio pânico. Mascaram os temores da aposta errada: “as bases da economia brasileira são sólidas”. Quantas vezes ouvimos esse mantra, agora acrescido pelos milagres do pré-sal? O problema é que essa solidez estava apoiada numa rocha que se revelou gelatina. Em Brasília, muita gente não dorme. Em São Paulo, a Avenida Paulista está em vigília e à base de Lexotan.
É possível que o mundo não acabe. Mas a crise é grave. As ondas de estatizações bancárias mundo afora dizem bem da situação, porque a medida contraria os cânones sagrados do livre mercado e do Estado Mínimo. Já falei antes que isso que agora ocorre é como se nos tivessem seqüestrado os bolsos do Estado (nossos bens, nossos impostos, nossas possibilidades de futuro), pra jogar no cassino. Agora que tudo deu errado, nos chamam pra pagar as contas, através do Estado (é isso que significam as estatizações mundo afora).
A crise é grave. Haverá contração, desemprego, maiores dificuldades. Não torço contra, que não sou louco. Todos temos filhos, temos sobrinhos, contas a pagar. Mas a situação não é boa. A bolsa de Moscou cair 20% num dia? O dólar no Brasil, mais 20%, num dia? O circuit-braker ser acionado duas vezes no mesmo dia na BOVESPA e mesmo assim a queda ir a quase 5%? Por isso acho terrível que riam do Papa, que nos mandou orar. Católico não sou. Mas é isso. O Papa tem razão. Está na hora do “adolescente” humano redescobrir o caminho do Pai. Como aliás, acontece em vidas sadias. Após o afastamento necessário ao aprendizado das asas no vôo fora do ninho, a maturidade nos reconduz ao colo dos pais, já perceberam? Que assim seja. Deus não nos rejeita. Não seria mau que governantes aprendessem a liderar com os joelhos no chão da prece.
*.*.*
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 21h08
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COMENTANDO O JÁ COMENTADO

POLÍTICA E PICHAÇÃO. Recebi críticas por conta de post anterior, no qual relatei peripécias políticas que incluíam... ("pasmem, o cara [eu] trabalha em Vara da Infância!!!")... pichação! Vejam. Naquele texto, estamos falando de ditadura militar, ainda que ao fim. Isso ainda significava repressão policial, prisões, provocação, intimidação armada, apreensão de material, impedimento de reuniões, e outras coisas. Sobrava pouco espaço para nos expressarmos. Pichávamos, sim, cuidando de não danificar prédios públicos, muito menos, residências. Havia tapumes, colunas de pontes ou viadutos, pedras de encosta, muros de terrenos. Por aí íamos. Como ia o célebre Gilson do Giz, o poeta dos tapumes do metrô do Rio. Como ia Gentileza, o profeta artista, que teve sua obra preservada em epístolas nos pilares da Perimetral, também no Rio. Não que fôssemos artistas. Mas uma palavra em defesa da luta e da esperança, em tempos de vozes caladas, era muito. Muitas vezes os muros falavam por nós. Muitas vezes um trabalhador humilde via seu grito pintado na pedra e ia pro trabalho, mais confortado.
Outro ponto. A pichação de hoje não traz esperanças ou bons agouros. É uma exposição do ego e uma competição infame de alturas maiores e arabescos mais sujos. A pichação de hoje não preserva nada. Quanto mais proibida a parede, quanto mais recente e translúcida a pintura, mais ousado se mostrará a seus pares o autor da sujeira. Descontada a necessidade de nova visão de política ambiental, e a necessidade que se teve de rever a pichação como estratégia de propaganda política, veja-se um retrato de juventudes distintas: uma que picha, com ideologias, seus sonhos, contra o terror. Outra que suja, sem ideologias, sua revolta egocêntrica em residências de inocentes. Ambos querem marcar seu lugar no mundo, expressar-se. É verdade. Mas o crime é, também, uma forma de expressão. Nada mais estético do que a “obra” de Bin Laden. Nem por isso, a aprovamos. Por isso, não aprovo, de formal alguma, qualquer pichação nos dias de hoje, que fique claro.
Ao contrário de alguns que transportam bandeiras vencidas e práticas datadas para os tempos de hoje (como os defensores da liberação das drogas), sem ver o perigo que isso representa, porque mudaram as circunstâncias, conheço o meu tempo e não cogito que hoje, se piche, nem um Salmo, nem mesmo a palavra esperança. Outros tempos, outros métodos.
*.*.*
SOBRE URNA E ESPERANÇAS. Censuraram também minha visão do processo eleitoral, que – afirmei, realmente - seria, digamos... como um balão de gás que infla, infla e rapidamente se esgota e murcha, na segunda-feira pós-eleição, pra só se encher no próximo encontro com as urnas. Tudo muito conveniente ao status quo. Vamos lá. Não quero tirar a esperança de quem quer que seja. Acho que Teresópolis, por exemplo, acabou construindo uma possibilidade de mudança muito positiva. Por aí foi o meu próprio voto. Isso se confirma pela taxa de renovação na Câmara, nunca vista. A cidade amanheceu, na 2ª feira, com outro clima. Entre o susto e o sorriso, uma espécie de “agora vai”. A maioria, quando menos, feliz com o enterro do passado desairoso. Mas mantenho o que escrevi. Até como alerta para que não pensemos que ninguém vai fazer por nós o que é nosso dever, nossa obrigação e... acima de tudo, nossa necessidade. Passada a euforia de alguns, que a militância da esperança se faça no cotidiano, independente de mandatos. Boas ações de bons mandatos serão conseqüência. Precisamos eleger a nós mesmos para o mandato do nosso próprio cotidiano, para a prefeitura da nossa própria vida. Vamos tirar nossa esperança da jaula da urna.
*.*.*
Categoria: POLÍTICA E ATUALIDADES
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 19h08
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VISITA AO CTI

No CTI, o guerreiro recolhido. Encolhido, com os joelhos no ventre, como quem nasce (talvez seja esta a verdade). Os tubos indagam seus pulsos, sua fibra, sua mente. Vaidades se afastam, são meras roupas que mentem. Ali, tudo é revelado. Em meio ao sono químico, o frágil que somos, os simples, dependentes de fios e gentes. Mas aí, justamente, a força, quando este fio é um facho do olho de Deus. O Apóstolo Paulo é quem sabe: -No mais fraco, somos fortes.
Bom que cheguemos ao CTI bem vividos. Vívidos. Porque ao lado nosso haverá lívidos, já vendo ante-salas de abismos. Mas a vida, ainda que em fios, por mim sempre é saudada. É vida. É por vezes é grande. Terá lá feito suas hortas, cultivado suas honras, fartado o mundo em pomares... Isto, me fala. No silêncio do corpo, fala a vida que aguarda, olhando pra trás a estrada, em capricho calçada.
Sei que o CTI sempre assusta, mas não é, aquilo, uma morada. Veja assim, como uma escola, por vezes necessária. Incômoda, dura, sempre, feroz, até. Mas no giz com que ela escreve, a palavra escrita nunca se apaga. E se o CTI pode ser encruzilhada, saia-se pra que lado for, uma coisa profunda, ali, foi lecionada.
A vida não é uma festa sem fim, elétrica, desatinada. O mundo não é só adolescências tardias, juventudes irresponsáveis, juventudes de araque. Cabeças vazias, copos cheios, corpos plenos... ainda que de silicone, manejos cirúrgicos, tinturas mágicas. Juventudes, o que o mundo pede. Futilidades. Mas de repente... sempre de repente, o CTI, esse baque. A realidade.
O baque. Assim nasceu a filosofia. Assim nascem religiosidades. Mas que, acima de tudo, assim se encontre, cada um, com sua própria pergunta e com sua mais plausível verdade.
Que a humildade nos comande, que a esperança nos abrace, que sejamos instrumentos contínuos da Graça. Isso é o que transborda das urgências, dos tratamentos intensivos, do susto que engasga e das lágrimas fartas.
*.*.*
Categoria: EU E OS MEUS
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 17h24
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